3/9/2009

 

antes de para mim existires, antes que fosse possível haver lembranças, no momento em que tua vida era por mim desconhecida, quando o meu dia tinha outras nuances que não tuas formas,  antes de te tornares combustível do meu desejo, antes mesmo que eu pudesse imaginar que um dia chegarias, antes que tivesses um nome, um corpo que minhas mãos pudessem tocar, antes que à noite, olhando o mar, a brisa me trouxesse o teu cheiro. quem éramos nós, além de estranhos fitando o porvir? e se o tempo causou e curou feridas, e se louco, cego e oco me tornei quando partiste, agora, com tua volta, ressuscitas para que novamente possa te conhecer, alguém que minhas mãos nunca tocaram, alguém que minha língua nunca sorveu. novamente desconheço a cor de teus pelos que um dia roçavam em meu rosto. do deserto que atravessei, restou somente a dúvida de que realmente existiu. te recrias nova, outra, livre de tua história, e me concedes a absolvição da minha própria história. para deitar-me pela primeira vez e de novo a teu lado, linda e nua, e poder te invadir todas as tuas frestas.

posted by jardim at 20:21 | in:
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